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Notas
Breve comentario sobre Tánger
Teresinka Pereira

Quero começar por Jorge Etcheverry. Enfrentei a poesia de Etcheverry com
as­sombro. Não só pela violência de suas idéias, mas também pela verdadeira
reali­dade que elas representam. Foi ele que escreveu:            `

O mundo é isto mesmo: é uma mara­vilha que ainda não está terminada. De
qualquer jeito pode-se tomar conheci­mento do sofrimento humano. O
repre­sentativo, ao reiteirar-se, esgota o terrível, acostumado o leitor a
digestão de atroci­dades. A apresentação estatística é muito seca. Os
números não sangram
.


A poesia de Etcheverry é concisa, de palavras essenciais, de versos em prosa
telegráfica, dos quais foram eliminados todos os antecedentes superfluos.
A característica máxima da poesia de Etcheverry é a revelação, n
ão no sentido
religioso ou cósmico, mas no sentido limitado do sentimento humano.


Etcheverry nos faz reconhecer em sua obra o demasiado pouco que conhecemos
deste ser que habita a nossa pele: o de gênero humano. Mas não se veste com
grandes ilusões: a busca é sempre mais intensa que o achado. Cito seus versos:


Os buscadores de novidade
não saem nunca do círculo do conhecido

Como no primeiro encontro em que
o jovem preocupado pelo seu desempenho

não consegue chegar a erecao -
Tentaremos pois (e isto é um conselho)

de salvar o que é diferente. (p.62)


Jorge Etcheverry é professor de litera­tura em Montreal. No passado foi
mem­bro da Escola de Santiago do Chile. No Canadá fundou, junto com outros
escritores, as Edições Cordillera. Tem já publi­cados varios volumes de
poesia, entre os quais podemos citar El evacionista, que em inglês teve o
título de The Escape Artist (o evasionista), publicado em Ottawa em 1981;

la Calle (A Rua), o qual foi publicado em Santiago do Chile em 1986,

e The Witch (A Feiticeira), publicado pelas Edições Split, em 1988.


Para Etcheverry o exilio é a poesia, é a necessidade de sonhar e é também a
su­per-realidade da vida. Cito aqui para ter­minar esta parte, seus versos
do livro Tanger, nos quais podemos ver este tema:


Como as aves migratórias, este mês em Chipre,
o més seguinte sobrevoando o Sudão,

para morrer a golpes de perdigões na Patagônia.
Assim também mudam outras aves contem­porâneas
expulsas de seas países
doces ná imaginação e na memória.


Como urna uva verde

sem sementes

madura
e na boca
.